Os Warao Coromoto vivem numa região rural do Paranoá e precisam pedir dinheiro nas ruas para sobreviver
O abandono dos povos indígenas não atingiu apenas os Yanomamis. A 55 quilômetros do Palácio do Planalto e do coração da capital do país, os Warao Coromoto sofrem com fome e doenças em um terreno alugado na região rural do Café sem Troco, no Paranoá. Para sobreviver, eles dependem de doações e mendigam pelas ruas do Distrito Federal.
“Crianças choram de fome aqui, queremos ter a nossa autonomia. Atualmente, estamos consumindo água de poço e devemos R$ 5 mil de energia”, relatou o cacique Miguel Antônio Quijada Lorenzano, de 44 anos.
Refugiada da Venezuela, a comunidade Warao Coromoto tem 31 famílias distribuídas em 126 pessoas. Deste total, 54 são crianças. Além da falta de comida, a aldeia não conta com banheiros. Necessidades básicas são feitas em matagais na vizinhança e banhos somente com água de poço.
Castigados por condições insalubres, os Warao Coromoto adoecem frequentemente. Febre, diarreia e vômitos atormentam as crianças, semanalmente. Na quinta-feira (9/3), após sofrer dias com dores causadas por complicações pós-cirúrgicas, um dos membros da comunidade foi socorrido de ambulância para um hospital da rede pública.
Segundo o cacique Miguel, o Governo do Distrito Federal (GDF) abandonou a comunidade. Os Warao Coromoto recebiam apoio para alimentação e aluguel social. No entanto, sempre sonharam com autonomia financeira. As mulheres são artesãs habilidosas e os homens têm aptidão para a produção rural.
Em 2022, com parceria da instituição Aldeias Infantis SOS Brasil, apresentaram um projeto de autonomia e infraestrutura para Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes). A proposta foi aprovada e recebeu uma emenda de R$ 500 mil do deputado distrital Fábio Felix (PSol). Mas, ao final de 2022, de acordo com o líder indígena, a pasta suspendeu a iniciativa.
“Infelizmente, o GDF lavou as mãos”, lamentou o cacique. Sem dinheiro, os Warao Coromoto correm o risco de ser despejados em breve. “O governo não entende a nossa dor. Para dar o que comer às nossas famílias, temos de sair às ruas e pedir dinheiro”, lamentou.







