Funcionários de sete creches conveniadas ao Governo do Distrito Federal em Samambaia, Ceilândia, Núcleo Bandeirante, Recanto das Emas e São Sebastião estão com os salários atrasados há 13 dias e ameaçam fazer greve por falta de pagamento do vale-transporte. As entidades denunciam que há atrasos nos repasses públicos de agosto.
A empresa responsável pelo pagamento é a Mont Serrat, que também responsabilizou a Secretaria de Educação.
As verbas são destinadas ao pagamento de funcionários e à aquisição de alimentos e itens de higiene.
Desde quinta-feira (11/8), 15 monitores da creche Sucupira, em Samambaia, estão sem trabalhar. O centro educacional atende 164 crianças diariamente. Os profissionais reclamam que não há dinheiro para a passagem, e, ainda, ressaltam o impacto que o atraso tem gerado na vida financeira.
“Não temos como tirar o dinheiro da passagem do próprio bolso. Por isso, não estamos indo. Além do trabalho, temos outro compromissos financeiros que não estamos conseguindo quitar neste mês. É uma situação horrível”, comentou uma funcionária que preferiu não se identificar.
A instituição ainda corre risco de perder mais educadores com o problema em vista. Cerca de 10 professores devem paralisar as atividades, caso não recebam o salário do mês.
“Fizemos uma reunião na segunda, e a situação é essa. Se os salários não chegarem, vamos entregar as crianças no fim do dia e avisar os pais que não abriremos as portas. Sem monitor e professor, não tem condição”, comentou o diretor da Sucupira, Thermys Figueiredo.
Impacto em 1,2 mil crianças
Se paralisadas, as sete instituições conveniadas deixarão de receber mais de 1,2 mil crianças por dia. Uma gestora de logística, de 27 anos, revelou que não terá com quem deixar a filha de 4 anos se a Sucupira fechar as portas por causa da greve.
“Quando fica sem aula, a gente tem de dar outro jeito, se virar mesmo, mas nem sempre é possível. Não é todo mundo que tem rede de apoio para deixar a criança. A gente conta com a creche todos os dias. Eu acho uma falta de respeito com os professores e a comunidade”, afirmou.
A moradora de Samambaia deixa a filha na creche desde que ela tinha 7 meses. Para ela, o local é referência e prioridade, já que só consegue trabalhar quando a filha está na instituição. “Se, por algum motivo não tiver aula, não vou conseguir trabalhar. Não sabemos como resolver esse problema”, lamentou a gestora.
O que diz a Secretaria de Educação
Questionada sobre os atrasados nos repasses para as sete creches conveniadas, a Secretaria de Educação do DF ainda não respondeu. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
Fonte: Metrópoles







