Nos últimos meses, o Brasil assiste a uma guerra política com capítulos até então inimagináveis que tenta impedir o avanço de um candidato com potencial na corrida eleitoral ao Planalto. Entenda:
Após longa batalha judicial, o perito aposentado da Polícia Civil do Distrito Federal, Marcus Holanda assumiu a presidência nacional do Pros em 8 de março de 2022, quando a 8ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) declarou válida uma convenção do Pros em julho de 2020 que elegeu Holanda para o comando do partido.
O antecessor, Eurípedes Junior contestava a legitimidade do ato e chegou a obter uma vitória na 1ª instância. Holanda recorreu e conseguiu destituí-lo com a decisão do TJDFT. Mas a guerra não parou por aí.
Tão logo assumiu o Pros, Marcus Holanda tratou de reorganizar e sanar o partido, até então fragilizado pelas graves denúncias contra o fundador da sigla, Eurípedes Junior, ex-vereador de Planaltina de Goiás (GO).

Holanda também decidiu colocar o partido na disputa presidencial e apresentou o empresário e coach Pablo Marçal, que tem milhões de seguidores nas redes sociais, para ser o candidato do partido à presidência da República. Visionário, cristão e patriota, Marçal aceitou o convite e logo começou a trabalhar. Em pouco tempo passou a incomodar outros candidatos, principalmente os esquerdistas Lula e Ciro.
Em outras eleições, quando a esquerda percebia que alguma nova candidatura representava algum perigo iminente, situações estranhas e até trágicas coincidentemente aconteciam com adversários.
TRAGÉDIAS
1985
Após o apoteótico movimento Diretas Já!, o País estava ansioso para ver o primeiro presidente civil depois de 21 anos de governo militar. Mas não poderia ter imaginado o pior. Na noite anterior à sua posse, 14 de março de 1985, Tancredo Neves, presidente eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral, não pôde assumir porque foi internado às pressas para tratar de apendicite aguda no Hospital de Base de Brasília.
Em seu lugar foi empossado o vice-presidente José Sarney. Durante 38 dias o Brasil acompanhou a agonia de Tancredo Neves. Foram sete cirurgias e uma traqueostomia até sua morte em 21 de abril de 1985.
1998
Luís Eduardo Magalhães morreu em 21 de abril de 1998 de ataque cardíaco, aos 43 anos, em Brasília, quando costurava acordos políticos para disputar o governo baiano naquele ano, e se preparava para ser candidato a presidente do Brasil em 2002. Ele era filho do senador Antonio Carlos Magalhaes (ACM), que à época era presidente do Senado Federal e maior apoiador da carreira política do filho que era deputado federal. Após três tentativas frustradas, Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), conseguiu eleger-se presidente da República em 2002 e reeleito em 2006.
2014
Em 2014, a campanha eleitoral daquele ano foi abalada com a trágica morte de Eduardo Campos (PSB), jovem e experiente político de Pernambuco que conquistou relevância nacional e que incomodava bastante a candidatura petista.
Eduardo Campos morreu em 13 de agosto de 2014 na queda de um jatinho na cidade de Santos, litoral sul de São Paulo. A aeronave em que estava o ex-governador de Pernambuco, modelo Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao aeroporto de Guarujá (SP). tendo a ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora Marina Silva como vice, Campos tentava chegar à Presidência da República pela coligação Unidos Pelo Brasil (PSB, PHS, PRP, PPS, PPL, PSL). Em 2014, a petista Dilma Rousseff venceu a reeleição (ela havia sido eleita em 2010).
2018
Já em 2018, surgiu um candidato que passou a incomodar o PT. Era o deputado federal Jair Messias Bolsonaro, que na onda da Lava Jato, acabou crescendo nas pesquisas e passou a representar perigo para o PT e seus aliados.
Para tentar barrar o crescimento e eventual vitória de Bolsonaro, um ex-simpatizante de Lula e ex-filiado ao PSOL, ex-garçom Adélio Bispo, mesmo desempregado, viajou à Juiz de Fora (MG) em 6 de setembro de 2018. Durante uma caminhada pelo centro da cidade, Adélio se aproximou e esfaqueou o presidente que foi imediatamente socorrido e posteriormente levado para São Paulo onde se recuperou semanas depois. Adélio foi imediatamente preso pela segurança, e três advogados apareceram imediatamente para cuidar da defesa. Adélio foi rapidamente considerado inimputável e cumpre pena sem poder dar entrevista (ao contrário de Lula, que mesmo preso na PF dava entrevista). Adélio está em internação psiquiátrica por tempo indeterminado.
O delegado da Polícia Federal Martin Bottaro Purper é agora o responsável pelo caso. Com experiência em investigações de homicídios, ele já coordenou ações contra a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Responsável pelas duas apurações iniciais, o delegado Rodrigo Morais Fernandes foi transferido para uma função nos Estados Unidos.
Mesmo sem participar de debates devido ao grave ferimento, Bolsonaro foi eleito presidente em 2018.
Mas essas situações adversas são apenas fatos, coincidências, conspirações ou crimes? Algum dia saberemos.
EFEITO MARÇAL
E agora em 2022, diante do lançamento e crescimento da candidatura de Marçal, o PT, que antes não se importava com o Pros e ignorava o coach que aceitou o desafio de enfrentar o sistema, nas últimas semanas passou desesperadamente a se preocupar com o partido de Marcus Holanda.
Para se ter ideia da preocupação, no último dia 31 de julho, o PROS realizou sua convenção nacional em Brasília, quando aprovou para compor a chapa Pablo Marçal e Fátima Pérola Neggra para a disputa pela presidência da República na eleição de outubro de 2022. Imediatamente a ata foi enviada ao TSE e Marçal foi o primeiro presidenciável a registrar a candidatura ao Planalto.
Entretanto, na noite daquele domingo (31) e numa caneta só, o ministro Jorge Mussi, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no exercício da Presidência, deferiu parcialmente o pedido da defesa e restabeleceu a presidência do Pros a Eurípedes Junior.
E já no primeiro dia como presidente, Eurípedes tratou de conversar principalmente em São Paulo, para tentar negociar o apoio do partido nos estados e principalmente a potenciais presenciáveis.

Um encontro amplamente divulgado foi o de Eurípedes com o vice de Lula (PT), o tucano e ex- ferrenho adversário político do PT, Geraldo Alckmin (PSDB) junto com um dos coordenadores da campanha petista, Aloísio Mercadante (PT). Nesse dia, chegou a ser anunciado que o PROS apoiaria a candidatura de Lula ao Planalto.
Mas a festa petista duraria pouco, porque três dias depois de assumir o partido, Eurípedes sofreu nova derrota (em 3/8) quando ministro Antonio Carlos Ferreira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), decidiu devolver o comando do Pros ao perito aposentado da Polícia Civil Marcus Holanda.
E no Distrito Federal, precisamente na tarde da sexta-feira (5), pontualmente às 17 horas, de acordo com Edital devidamente publicado com antecedência de 10 dias, aconteceu a convenção distrital do PROS, que definiu seus candidatos e apoio à reeleição do governador Ibaneis Rocha (MDB). A ata da Convenção, assinada pelo diretório regional do PROS, sob a presidência de Wanderley Espíndola, foi devidamente registrada no TSE (conforme recibo da Justiça Eleitoral número 92432).
E pasmem: na mesma sexta-feira (5) uma nova e estranha decisão de caráter liminar de um ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) trouxe de volta Eurípedes e sua turma ao comando da sigla. Segundo especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo Blog, tal “canetada” deverá cair a qualquer momento porque ultrapassa todos os limites da lógica, da moral e da legalidade.
E na mesma noite de sexta-feira (5), o novo presidente regional do PROS, Berinaldo Pontes e sua turma desesperadamente convocaram os candidatos do partido devidamente aprovados na Convenção realizada às 17h (conforme edital devidamente publicado no prazo legal), para participarem de nova convenção.
Ato criminoso? Confira o Edital de convocação assinado por Berinaldo Pontes mas… sem data!!! Clique aqui
A todo momento em seu discurso – no auditório de conhecido hotel do grupo Paulo Octávio, e na presença de coordenadores e alguns candidatos do partido – Berinaldo, que só voltou oficialmente ao comando distrital do partido às 19h20 (segundo o próprio), tentou evitar chamar o encontro de “Convenção”, ao contrário do que fez no chamamento dos já candidatos, ao informar que a convenção das 17h não tinha valor legal e que todos deveriam ir ao seu encontro na reunião das 21h naquela noite.
No encontro noturno suspeito e com 1/3 do quorum anterior, a conversa mudou. Sabendo que não poderia fazer nova convenção por falta de prazo, não disse que a anterior (da sede nacional do Pros) era inválida. Mas informou que haveria retificação na ata já protocolada na Justiça Eleitoral.
A desculpa (ou justificativa) dada por Pontes é que os candidatos do PROS “precisavam receber dessas majoritárias uma contribuição para as custas de campanha”. Mas… e os recursos do Fundo Eleitoral do próprio partido? Para onde iriam?
Neste domingo (7) foi noticiado que Berinaldo Pontes, momentaneamente presidente do PROS/DF havia fechado com o governador Ibaneis Rocha (MDB). Candidato ao Buriti, o empresário e presidente do PSD/DF Paulo Octávio não quis entrar nessa confusão envolvendo Eurípedes e sua turma.
Por enquanto o que ficou visível na fatídica convenção que não era convenção, foi a tentativa de apoio aos candidatos federais de outra sigla, mesmo sem Federação ou coligação oficial.
A “Convenção” de Berinaldo Pontes foi tão suspeita quanto a “convenção nacional” realizada em Planaltina, sem nenhum valor jurídico. Até porque o PROS tem duas sedes em Brasília e essas reuniões simplesmente foram realizadas fora delas.
A midiática e maquiavélica ação do grupo de Planaltina em conluio com o PT afronta a democracia brasileira e revela um perigoso jogo quase oculto de interesses nada republicanos.

O resumo é desse imbróglio é o seguinte: O PT indica um advogado do partido para jogar uma ação para um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que já foi procurador e advogado do PT (Ricardo Lewandowski) para mudar a executiva nacional do Pros e favorecer o partido, no intuito de retirar Pablo Marçal da disputa presidencial para ampliar a coligação de apoio a Lula.
O fato é que o jogo do PT, para tentar colocar Lula de volta ao Planalto, é repleto de caminhos antidemocráticos e até de atalhos criminosos. Mas o povo não é bobo e a verdadeira Justiça não é cega e acompanha com fatos com lupa.
Tentar eliminar no tapetão um preparado candidato a presidente da República com potencial de crescimento, já devidamente registrado no TSE e às vésperas de uma eleição, por si só já seria um crime.
Espera-se que a PF reforce a segurança em torno do presidenciável Pablo Marçal e de sua família. O jogo é pesado e definitivamente perigoso.
E que autoridades competentes investiguem a fundo toda essa súbita orquestração no sentido de retirar definitivamente o comando do PROS das mãos de Marcus Holanda para entregá-lo a Euripedes Junior para negociar com o PT a retirada de Marçal da disputa eleitoral.
É preciso respeitar a Lei, a democracia, as regras, instituições e principalmente o jogo que já está sendo jogado. Tentar puxar tapete de adversários através de amigos no Judiciário é uma vergonha, uma imoralidade. Mas é a constatação de que Marçal está no rumo certo. Se não incomodasse, o PT não estaria movendo mundos e fundos para tirá-lo da disputa.







