Sem professores, estudante ficaram do lado de fora dos colégios, nesta quarta-feira, 1º dia de retorno de aulas 100% presenciais no DF
Grande parte dos educadores aderiu, nesta quarta-feira (3/11), à paralisação convocada pelo Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF). Alegando falta de segurança sanitária para a volta das aulas 100% presenciais na pandemia de Covid-19, a entidade chamou a categoria à cruzar os braços no retorno às atividades in loco, após 18 meses de ensino remoto.
O número de docentes favoráveis ao movimento ainda não foi divulgado pela Secretaria de Educação do DF. Mas, segundo o Sinpro, ao menos 14 instituições aderiram totalmente ao movimento e não abriram as portas nesta quarta-feira. A lista inclui a Escola Classe 604 Samambaia; a EC 318 Samambaia; a EC 831 de Samambaia; EC 43 Ceilândia; o Centro de Ensino Fundamental 33 de Ceilândia; o CEF 27, também em Ceilândia; a EC 108 sul, o Caic Unesco em São Sebastião; a EC Vila do Boa São Sebastião, o CEF Chicão, em São Sebastião; o CEF Jataí de São Sebastião; o CEF Bosque, também em São Sebastião; o CEF 8 Sobradinho e o Centro de Ensino Médico Urso Branco, no Núcleo Bandeirante.


No Centro Ensino Médio 2, no Gama, 20 dos 28 profissionais de educação não foram para a sala de aula, no turno matutino. No local, que conta com mil estudantes pela manhã, grande parte dos alunos voltaram para casa. Poucas turmas tiveram aulas normais. “Não tinha professor. É decepcionante. Nessa pandemia já está difícil demais para aprender as coisas”, comentou um estudante.Parte das turmas vive a expectativa pelas provas do Programa de Avaliação Seriada (PAS) e de Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Sem aulas, estes alunos temem não conseguir boas notas no ingresso ao ensino superior.
Sem aula, alguns estudantes ficaram em frente ao CEM 2 (foto em destaque). “Olha, eu até entendo a paralisação. Mas é a gente que sai prejudicado”, disse um aluno. “A direção não falou nada. Só mandaram a gente ir embora porque não ia ter nenhuma aula”, contou outro estudante. Diante da situação, as turmas pedem mais condições de segurança sanitária e a reposição das aulas perdidas.
O principal motivo de 20 dos 28 professores da escola terem parado é o tamanho das salas de aula do CEM, que não possuem dimensões para manter o distanciamento preconizado caso todos os alunos compareçam. “As salas são apertadas. Temos em média 43 e 45 estudantes, por turma. Não tem como manter o distanciamento, se todos os alunos vierem”, explicou o supervisor pedagógico Camilo Evangelista. Além disso, nem todos os estudantes voltaram para escola nesta quarta-feira.
A Secretaria de Educação declarou que vai cortar o ponto dos professores que aderirem à paralisação.
A secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, acompanhou retorno no Jardim de Infância 4, no Gama. Segundo ela, a volta das aulas 100% presenciais é fundamental para os alunos recuperarem a rotina escolar. “Para nós, a volta das aulas 100% presenciais é um sonho”, pontuou.
“O que os alunos estavam vivendo até agora não é a rotina. A rotina é frequentar de segunda à sexta-feira e folgar no final de semana. Então agora vamos fazer o diagnóstico com todos alunos em turma. Inclusive vamos levantar a questão da abstenção, da evasão escolar, do abandono. Nós temos que ir em busca desses estudantes. Não podemos deixar eles para trás”, disse Paranaguá.







